Origem

A imagem que me vem à mente são os grandes sacos de feijão e milho, abertos, à entrada da venda...


Neles se apanhava a quantidade desejada, usando uma espécie de cone de alumínio e depositava numa sacola de papel pardo. Então, os fregueses se encaminhavam ao fundo da loja para pesar e, invariavelmente, paravam no caminho para uma prosa com o quejeiro.


Ali tudo parecia estar montado para compôr um cenário Feliniano: os baldes multicores pendendo do teto, a luz azul da manhã entrando pela porta e o movimento frenético de fregueses e caminhões, que se esgueiravam nas ladeiras de Itaquari. Com estranha sabedoria, meu pai e meu tio controlavam, em pequenos papéis (as cadernetas) o estoque e as contas do pessoal. Eu tinha pouca idade e, ali, os irmãos Zamprogno começavam sua história de muito trabalho.

Foi desta lembrança que busquei a inspiração quando criei La Merceria. Quis resgatar, com um toque de modernidade, o movimento lento de uma época que só me traz boas lembranças...

Varanda La Merceria, vinho
salão La Merceria

Busquei a autenticidade dos cheiros e sabores: como o de café e de linguiça, que buscávamos diretamente do produtor e invadiam o carro, quando descíamos a serra de Santa Teresa espremidos em 5 no banco de trás de um Passat.”.
 

Quis fazer da minha mercearia, um espaço de encontro e de estar, como era a do meu pai.
Você poderia dizer “ora, são só lembranças de infância...”

Podem ser, mas o tempo, este senhor sábio e imprevisível, me trouxe para Campinas e me deu três meninos. E me deu “uma venda”. Se puder, quero que meus filhos também tenham uma lembrança genuína.


Espero que também aguardem por nós, à noite, fingindo dormirem. Para então, o pai deles encostar sua mão forte sobre seus rostos, dar-lhes um beijo e então depositar ao lado, três caramelos.
...como o meu pai sempre fazia.

Joseane Zamprogno

Proprietária

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